Hipertensão arterial e exercício físico

Num estudo realizado em Portugal em 2005, constatou-se uma tendência para o aumento da Hipertensão Arterial com a idade, observando-se uma prevalência mínima de 19,0% no grupo dos inquiridos com menos de 35 anos e uma prevalência máxima de 78,9% no grupo dos inquiridos com mais de 64 anos.

Hipertensão Arterial é considerada um dos mais importantes factores de risco das doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.

Num estudo realizado em Portugal em 2005, constatou-se uma tendência para o aumento da Hipertensão Arterial com a idade, observando-se uma prevalência mínima de 19,0% no grupo dos inquiridos com menos de 35 anos e uma prevalência máxima de 78,9% no grupo dos inquiridos com mais de 64 anos.

A hipertensão é um estado crónico de pressão arterial sistémica aumentada. Segundo o Colégio Americano de Medicina Desportiva (ACSM, 2009) a norma para a definição de Hipertensão quando os valores de pressão arterial sistólica é superior a 140 mmHg e de pressão arterial diastólica superior a 90 mmHg. Consideram-se ainda os indivíduos com hipertensão controlada, estando a tomar anti hipertensores (Espiga de Macedo, 2005).

A prevalência da HTA é superior no sexo masculino em todas as classes etária e por zonas, mostrou que o Norte tem o valor mais baixo, 37,8% e o Alentejo apresentou o valor mais alto, 49,5%. Analisando a mesma população pela questão do índice de massa corporal (IMC), que relaciona o peso e a altura dos indivíduos, observou-se que apresentavam sempre percentagens mais elevadas para o sexo masculino, onde indivíduos com menor índice apresentam menor percentagem de casos com HTA (18,6%) e de maior índice de IMC (>30 kg/m2) onde se verificou maior percentagem de casos com HTA (71,2%). Esta situação justifica que indivíduos com mais peso, apresentam maior risco de desenvolvimento de HTA.

Outro dado interessante, refere-se à pré-hipertensão, mais frequente nos indivíduos com menos de 35 anos (48,2%). Este dado poderá estar relacionado com hábitos de vida menos saudáveis, menor actividade física e maiores níveis de stress no dia-a-dia. A hipertensão estádio 2 (PAS ≥160 mmHG e PAD ≥100) é mais comum nos indivíduos com mais de 64 anos (37,1%) seguida dos indivíduos entre os 35 e os 64 anos (13,2%). Este último dado pode mostrar uma evolução preocupante nesta faixa etária que evoluí de pré-hipertensão para hipertensão estádio 2 muito rapidamente, o que implica maiores gastos com medicação e controlo da mesma.

A prevalência da HTA estimada neste estudo para Portugal é de 42,1%, tendo a Espanha e a Finlândia valores mais elevados; no entanto o valor mais elevado neste estudo é apresentado pela Alemanha, com 55%. Curiosamente e contrariamente ao que esperaria a prevalência de HTA nos Estados Unidos e Canadá foram de 28% e 27%, respectivamente.

A prevalência da hipertensão na Europa é duas vezes mais alta que na América do Norte. Vários estudos publicados em doentes hipertensos ou com risco cardiovascular elevado, provaram que uma redução na pressão arterial sistólica, entre 1 a 3 mmHg reduz o risco relativo de AVC em 20% a 30%.

As causas mais frequentemente apontadas para a HTA são: Inactividade física, Obesidade (gordura visceral), Ingestão elevada de sal e de álcool, Ingestão reduzida de Potássio, Stress psicossocial, Hiperinsulinémia.

Existem ainda outros factores de risco que também podem aumentar o risco de HTA e de doenças cardiovasculares – Fumar, colesterol elevado, Diabetes mellitus, Idade superior a 60 anos, Género (Homens e mulheres pós-menopausa), História familiar de doenças cardiovasculares (mulheres com menos de 65 anos ou homens com menos de 55 anos), Obesidade e Estilo de vida sedentário.
Uma das grandes vantagens exercício físico é o facto de este combater os factores de risco que costumam estar associados à HTA. Entre eles, reduz o batimento cardíaco cardíaco e resistência periférica total, em qualquer nível de actividade física após o treino e contribui para a redução da quantidade de gordura visceral, permitindo controlar a glicémia, o colesterol e o peso.

O exercício aeróbio conduz a uma redução da PA em repouso de 5-7 mmHg em indivíduos com HTA. (ACSM. Position Stand. Exercise and hypertension. Med. Sci Sports Exerc. 2004; 32: 533-53)
Ao nível do treino da força (musculação), os indivíduos com HTA podem e devem realiza-la pois PAS e PAD podem diminuir 10 a 20 mm Hg abaixo dos valores de repouso, cerca de 1 a 3 horas após o esforço (30 a 45 minutos de exercício dinâmico de intensidade moderada) e poderá permanecer até 9h após o treino. (ACSM,2009).

No entanto necessitam de ter alguns cuidados especiais, tais como: não realizar cargas elevadas com os membros superiores, pois aumenta significativamente a PA; não realizar exercícios de cabeça para baixo, que aumentam o fluxo de sangue na cabeça e aumentam a PA; não realizar exercícios isométricos (exercícios estáticos como pranchas abdominais); não fazer bloquei respiratório durante o exercício (Manobra de Valsalva); dar preferência ao um treino em circuito.

Indivíduos com HTA devem realizar um electrocardiograma com prova de esforço realizado pelo médico, antes de iniciar qualquer programa de actividade física.
(ACSM, 2009)

O objectivo do exercício nos indivíduos com HTA é controlar a pressão arterial, os programas de exercício para controlo desta variam entre os 6 e os 9 meses, no mínimo. Todos os objectivos relativos ao exercício que o indivíduo tenha e que envolvam maior rendimento físico e maiores intensidades de esforço deverão ser projectados para datas posteriores a este tempo e apenas se a condição física e fisiológica o permitirem. É necessário ter conhecimento dos efeitos da medicação na resposta ao treino, para se saber como controlar o mesmo. Procure a ajuda de um profissional de exercício qualificado!


Bibliografia
• Prevalência, conhecimento, tratamento e controlo da hipertensão em Portugal; Espiga de Macedo e col.; (2007)
• JNC VII- Joint National Committee – 7th Report
• Exercise physiology for health, fitness, and performance; Sharon A. Plowman, Denise L. Smith.—3rd ed.; (2011)
• Exercise physiology : integrating theory and application / William J. Kraemer, Steven – 1st ed.; (2012)
• ACSM's Guidelines for Exercise Testing and Prescription, 8th edition, (2009)
• ACSM’s Exercise Management for Persons with Chronic Diseases and Disabilities, 3rd edition, (2009)
• Pressão Arterial e Factores de Risco Cardiovascular: Estudo de uma amostra do concelho de Coimbra; Oliveira Frédéric M. de, Pereira T., Pocinho M., Figueiredo J., Conde J., (2007)
• Documento não editado FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS; Departamento de Farmacologia; Universidade Nova de Lisboa
• Documento não editado Escola Superior de Desporto de Rio Maior; Mestrado em Actividade Física em Populações Especiais 2010 - AVALIAÇÃO E PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM Hipertensão

Edgar Borja
Place Academy trainer

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